Bem-te-vi Granfino
Marcos Violeiro e Cleiton Torres
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Na cidade onde moro amanheço escutando, a cantiga dolente de um bem-te-vi F#7 B
Se os seus olhos vissem meus olhos chorando, ele ia cantar muito longe dali
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Seu cantar vai buscar o meu doce passado, que vem e retorna nas assas do vento F#7 B
Parece fumaça de um fogo agitado, sufocando o ego do meu sentimento
Introdução
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Pois ali não vejo o jacarandá, onde cantarolava o canário da terra
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Não vejo traíra no meu samburá, e nem a lagoinha na no pé da serra
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Não vejo perdiz na trilha do gado, e nem as abelhas no pólen da flor
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Não ouço mugido de boi confinado, lá na passarela do embarcador
Introdução
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Também não deparo com minha mãezinha, ralando mandioca no velho galpão
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Papai não debulha milho pras galinhas, nem trata dos porcos lá no mangueirão
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Do passado eu tenho somente a cantiga, desse passarinho simples forasteiro
F#7 B
E a rara presença de alguma formiga, lambendo cimento sobre meu terreiro
Introdução
F#7 B
Chega de cantiga bem-te-vi granfino, chega de lembranças lá do meu sertão
F#7 B
É triste viver nas mãos do destino, longe dos currais, boiada e peão
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Quando você canta volto a ser menino, depois vem o tranco da desilusão
F#7 B
Assim você faz o meu sopro divino, morrer de overdose de recordação
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