Berrante Assassino
Abel e Caim
(1) Na minha sala de pintura amarela (2) Representando a florada do ipê do meu sertão (3) Conservo ainda um berrante volteado, (4) É lembrança do passado do meu tempo de peão, ai… (1) Desde pequeno só viajei com boiada (2) Passei meses na estrada de alegria e desengano (3) E deste caso bem me lembro como foi (4) Foi a façanha de um boi que chamava Soberano, ai…. (1) Faz muito tempo, mas o mês ainda lembro, (2) Foi bem no fim de setembro quando a boiada estourou (3) Lá em Barretos meio dia escureceu (4) O Soberano ele venceu um garotinho ele salvou, ai… (1) O seu paizinho comprou ele da boiada (2) Levou pra sua invernada que de velhinho morreu (3) O filho moço correu o Brasil inteiro (4) Procurando o boiadeiro e o chifre do boi lhe deu, ai…. (1) Eu deste chifre mandei fazer um berrante (2) Para ser meu ajudante nos transporte de boiada; (3) O mesmo chifre que salvou este menino (4) É o berrante assassino, desta saudade malvada, ai…
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